Nesta Quinta-feira, 5, a tristeza foi minha companheira. Eu que nunca me permiti um sentimento tão avassalador, tive que me dobrar. Muitas vezes, estamos próximos dos amigos, mas não tão próximo quanto poderia estar de verdade. Porque nos escapa pela fadiga do dia-a-dia, a atenção, o acolhimento, um momento de confraternização para poder abraçar o outro.
Fui surpreendido com a notícia da morte do ‘CARA’, 'o narrador esportivo mais versátil do Brasil', meu Amigo Luiz Paranhos. Muito mais pela certeza que construí de sua recuperação em um leito de UTI, em tratamento intensivo, que pela volta à casa do pai. Pura vontade de vê-lo voltar ao convívio dos amigos e companheiros.
Quando ele chegou a Rádio Excelsior, em meados de 2005, inquieto, despojado, cheio de energia e idéias, tinha certeza que em pouco tempo ele conquistaria o seu espaço na Equipe Alto Astral. E não deu outra.
O seu dinamismo, narração esportiva vibrante e, em cima do lance, conquistou a todos. Ele tinha o privilégio de uma vinheta exclusiva na abertura das jornadas que enaltecia a sua versatilidade e que lhe permitia se autodenominar “O CARA”. Só para ele, os artistas perguntavam o tempo e o placar dos jogos quando narrava, ou melhor, nos brindava com sua voz potente e cheia de vida.
Como era bonito ouvir os seus jargões. No cantar de sua vinheta, ele dizia: “Eu Sou o Cara!” Quando copiaram a menininha que perguntava quanto estava o placar, ele afirmava: “pode copiar, pode copiar, mas o original é aqui!” "90 minutos sem sair de cima!" E quando acontecia uma jogada bisonha em campo, ele bradava: “Oh! meu pai, eu tava no Ara meu pai!” Uma alusão à canção do Ara Ketu.
Ele, ‘O CARA’, partiu para a casa do pai, uma outra dimensão. Mas, fica a lembrança de seus exemplos e ações que serão eternizadas pelos ouvintes e amigos, por onde ele passou. Em nós, a alegria de termos convivido com uma pessoa tão especial. E basta fechar os olhos que as lembranças nos permitirão ouvi-lo novamente...
Nenhum comentário:
Postar um comentário