Era bem cedo, às 5h, quando o grupo sem-teto abriu um rombo no alambrado que cerca o antigo Golf Country Club, em Pau da Lima, e ocupou o imenso terreno que uma dia serviu à diversão de gente rica. No início, não passavam de centenas. Ao longo do dia, segundo lideranças, mais de mil famílias já estavam no local.
Ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem-teto de Salvador (MSTS), eles reivindicam a desapropriação da terra para a construção de moradias populares. A área ocupada é particular. Mas, segundo Jhones Bastos, coordenador do MSTS, os três proprietários sofrem ação do estado devido a uma dívida.
“Além da dívida, a terra é improdutiva. Dizem que não tem terra para construir, mas mostramos que tem sim”, afirma Jhones. A área ocupada é grande - vai de Pau da Lima até quase Dom Avelar. Não houve violência. Os seguranças que trabalham no local não tentaram impedir a entrada dos invasores.
A PM foi chamada, mas, como disse um dos policiais, apenas para “manter a ordem”. Neste domingo, mesmo os ocupantes já utilizavam enxadas e facões para capinar o terreno. Com cordas e estacas, cada família loteava seu espaço. A intensão era montar acampamento.
“Não vamos sair enquanto não tivermos a garantia das nossas casas. Aqui dá para construir uns 10 mil apartamentos”, calcula Jhones. O pedreiro Robson da Paixão, 37 anos, queria o dele. “Estou na luta pela casa própria há quatro anos”. (As informações do Correio)
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