A história se repete em vários municípios da Bahia: obras de creches, postos de saúde e pavimentação paradas. Os motivos vão desde má gestão a disputas entre adversários políticos, passando pelo atraso no repasse de recursos pela Caixa Econômica Federal. Após ter acesso a informações de denúncias e relatórios da Controladoria Geral da União (CGU) de obras paradas em Santa Bárbara e São Sebastião do Passé, A TARDE foi conferir de que forma o uso indevido do dinheiro público prejudica a população.
A planilha de medição das obras de uma creche no bairro de Matadouro Velho, no município de Santa Bárbara, localizado no semiárido a 141 quilômetros de Salvador, mostra que a construção está quase pronta. O documento, assinado por uma arquiteta da prefeitura e pela empresa que venceu a licitação, mostra a colocação de telhas de cerâmica para a cobertura e divisórias internas de granito.
Contudo, lá na comunidade do Matadouro, na beira da BR-116, no chão de terra há somente um muro e as fundações da suposta creche que deveria estar pronta, abrigando as crianças do bairro. "Eu não sei, não, porquê tá assim. Acho que é porque mudou de governo (prefeito) e esse agora não fez", suspeita a dona-de-casa Rosilda Santos, 44 anos, dez filhos, oito deles vivendo com ela na casinha de reboco, há duas quadras de onde deveria estar a creche. Dois deles em idade para frequentar o local.
É hora do almoço e Rosilda tem arroz e farinha para dar às crianças. "Na creche ia ter merenda. Tem uma creche, mas é lá do outro lado da pista. É perigoso", aponta a BR-116. Informada pela reportagem de que já foi liberado pelo governo parte do dinheiro para a construção, ela pergunta: "porque então ali só tem as paredes?". (As informações do A Tarde)
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