O ônibus da empresa Vitral estava cheio e era pura animação. Boa parte dos passageiros seguia para a Parada Gay de Salvador, ontem, no Campo Grande. O coletivo da linha Engomadeira-Lapa passava pelo bairro de Narandiba quando, por volta das 14h, um homem subiu pela porta dos fundos e acabou com o domingo de festa. Ele, que tinha a ajuda de um comparsa dando cobertura, sacou uma arma e começou a atirar. O motorista parou o coletivo no meio da rua mesmo.
No pânico geral, Alax Willian Xavier, 19 anos; Leôncio da Silva Santos, 38; Arlindo Silva Lima, 72; e Edvaldo Pereira dos Reis, 39, acabaram baleados. O crime aconteceu a cerca de cem metros da 23ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM). Foram os PMS que primeiro socorreram as quatro vítimas, levadas para o Hospital Roberto Santos. Até as 23h de ontem, só uma morte havia sido confirmada: Alax William não resistiu ao ferimento no abdômen.
Leôncio segue em estado grave após ser atingido nas costas, próximo ao pescoço, com risco de ficar paraplégico. Já Arlindo e Edvaldo, atingidos respectivamente na cintura e na coxa esquerda, receberam alta ontem mesmo.
Ao sair da emergência andando com dificuldades, Arlindo narrou os momentos de desespero que viveu no dia em que ia visitar a filha em Narandiba. “O ônibus tava cheio. Eu só ouvi os pipocos. Todo mundo entrou em pânico. Eu corri e a patrulha me levou”, disse, revoltado. “A gente paga nossos impostos direitinho e não posso nem visitar minha filha?”, perguntou.
O crime foi registrado na 11ª Delegacia (Tancredo Neves). Mas, com a morte de Alax, passou a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A delegada Maria Imperatriz Cardoso, que inicialmente ficou com o caso, confirmou que o atentado foi motivado pelo tráfico de drogas e também pela disputa entre grupos dos bairros da Engomadeira, Narandiba e Tancredo Neves.
A delegada, por sua vez, não informou se entre os quatro atingidos havia um alvo específico. Adiantou apenas que o assassinato de um garçom, morador do Cabula VI - mas que tem filhos no bairro do Arenoso - motivou um acerto de contas por parte de criminosos do Arenoso. O garçom foi morto no sábado. “Tem relação com o homicídio do Arenoso. Não sei quem era o alvo. Só sei que eles não querem saber se quem vai morrer é inocente ou bandido. Eles querem matar”.(As informações do Correio)
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