domingo, 8 de fevereiro de 2015

FAMÍLIAS ALEGAM INOCÊNCIA DE MORTOS NO CABULA: "ELES PROTEGIAM A GENTE. TEMOS MEDO É DA POLÍCIA"

Famílias uniram-se pela dor no Cemitério Quinta dos Lázaros, a partir das 14h30 do sábado (7), quando foram enterradas seis das 12 vítimas da operação policial comandada pela Rondesp no Cabula, na madrugada de sexta-feira. Dezenas de amigos, vizinhos e parentes estiveram presentes no sepultamento de Natanael de Jesus Costa, 17 anos, Vitor Nascimento, 20, Everson Pereira dos Santos, 26, Caíque Basto dos Santos, 16, Jeferson Rangel e Agenor Vitalino, 19.

Familiares das vítimas disseram que foram ameaçadas no bairro por policiais - que apontaram armas para os ônibus que saíram do fim de linha da Engomadeira para o enterro - e garantiram que havia policiais à paisana no cemitério.

“Eles estão botando medo, enfrentando a gente com armas. Os meninos protegiam a gente. A gente tem medo é da polícia”, disse uma mulher que mora no bairro há 59 anos, pedindo anonimato. “É uma injustiça. Eles têm que pagar. É tudo mentira o que estão dizendo”, bradou uma tia de Natanael que não quis se identificar, ao defender que o confronto alegado pela polícia não existiu.

“Todo mundo gostava do meu filho... Ele era inocente! Agora vou criar os dois irmãos sozinha e trabalhar sozinha, porque era ele quem me ajudava”, lamentava, aos berros, a costureira Marina Lima de Oliveira, 56 anos. Avó de Natanael, ela o criou como filho junto com os dois irmãos.

Ela contou que o garoto ajudava na entrega das costuras, defendeu que era um menino estudioso e que sonhava em ser jogador de futebol, tendo feito até um teste na Espanha para entrar no Barcelona. Um vizinho de Everson reforçou a versão defendida com unanimidade entre os presentes no cemitério de que “não houve troca de tiro”. “Foi uma execução. Eles se renderam e foram mortos sem defesa. Como foi troca de tiro se os meninos tinham marcas de tortura? Braços quebrados, olhos afundados e tiro na nuca?”, disse.

“Nós só queríamos que a polícia fizesse o papel dela. São despreparados. Nossa comunidade tem pessoas trabalhadoras”, clamou uma tia de Vitor. Em nota, a PM informou que o caso será alvo de uma apuração. “Até o momento, não há indícios de irregularidade cometida pelos policiais militares”, disse a PM, reafirmando que policiais foram recebidos a tiros no local. (As informações do Correio)

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