A Secretaria de Urbanismo de Salvador (Sucom) anuncia monitoramento sonoro de todas as atividades não esportivas que forem realizados na Arena Fonte Nova. O trabalho do órgão começa neste sábado, 15, quando o estádio recebe show dos cantores Maria Rita e Marcelo Jeneci.
Os eventos no local devem respeitar a Lei Municipal nº 5.354/98, responsável por regulamentar os níveis de som emitidos na cidade. Na normativa, fica estabelecido que, no período compreendido entre 22h e 7h, o limite de emissão sonora é de 60 decibéis (dB). Já entre 7h e 22h, a marca máxima permitida é de 70 dB.
O espaço, fechado desde janeiro para eventos não esportivos, por determinação da Justiça, é um dos poucos em Salvador adequados para receber eventos desse tipo. Mesmo com esse argumento, os moradores do entorno do estádio reclamam dos transtornos causados pelos eventos no local.
Se fosse pela vontade do aposentado Vladimir Sá, 75 anos, este sábado nem existiria. É que, com a volta dos eventos, ele teme "perder o sossego", como afirma à equipe de reportagem. Morador da rua Arquimedes Gonçalves, em Nazaré, e dono de outros dois imóveis nas imediações da arena, o idoso é um dos incomodados com a situação.
Segundo o aposentado, "o som atrapalha até se assistir televisão". Ele afirma que os inquilinos dos imóveis que possui no Jardim Baiano já falam em se mudar. A mesma ideia também passa pela cabeça do idoso.
Medidas - A TARDE contatou a assessoria da Arena Fonte Nova, para saber quais medidas foram adotadas pela administração do estádio para diminuir os impactos sonoros na região. No entanto, até o fechamento desta edição, a equipe de reportagem não obteve resposta.
Em matéria publicada na quinta-feira, entretanto, o coordenador de eventos do espaço multiúso, Bruno Leal, pontuou algumas das ações preventivas. Entre elas, a reforma da praça Sul, onde acontecem os eventos musicais; instalação de barreiras acústicas; redistribuição das caixas de som, "entre outras".
É unanimidade entre os moradores entrevistados o fato de que o som da arena alcança os prédios que a rodeiam. Alguns deles, entretanto, dizem não se incomodar com o barulho. É o exemplo do casal Letícia Rocha, 27, e Douglas Salgado, 34. Quando estão na casa da mãe dela, no Jardim Baiano, os dois dizem não sofrer com o barulho.
No caso de Letícia, isso até a deixa chateada. "Quando tem um show de Ivete Sangalo, eu até queria ouvir, curtir as músicas, mas o som chega abafado aqui em casa", ela brinca.
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