Famílias que vivem à beira das encostas em Salvador estão apreensivas diante as fortes chuvas que têm caído nos últimos dias. Elas temem novos deslizamentos de terra, sobretudo onde houve mortes em 2015. Em três dias, a cidade recebeu 88,7 mm de chuva, o equivalente a 64% dos 138 mm previstos para o mês. E o prognóstico meteorológico, que previa precipitação até esta sexta-feira, 8, estendeu a previsão até domingo, 10.
Obras de contenção estão sendo tocadas pela prefeitura na comunidade do Barro Branco, na Av. San Martín, mas ainda não garantem o sono dos moradores, que têm dormido em casas de familiares, fora da região, nas noites chuvosas. Na área onde 11 pessoas morreram em abril passado, a água que escorre morro abaixo carrega lama para a avenida. "Depois do que ocorreu, a gente fica abalado. Muitas famílias têm ido dormir nas casas de parentes", diz o montador de móveis Wellington Costa, 32.
No Marotinho, em Bom Juá, parte da terra começou a ceder novamente. As torrentes reavivaram a memória do vendedor Anderson Santos, 36. Em abril de 2015, quatro pessoas morreram soterradas no bairro. Preocupado, ele tem faltado ao trabalho nos dias de chuva para não deixar a família, com quatro crianças, sozinha em casa. "A gente tem medo de o deslizamento puxar o restante da rua para baixo. Como é que sai para trabalhar, assim?".
As marcas da tragédia ocorrida no ano passado ainda continuam no local, a exemplo dos escombros das quatro casas varridas pela lama. "A gente até improvisou uma contenção para desviar a água da chuva da encosta", acrescentou o vizinho Taisson Almeida, 24.
Do alto da localidade de Graciosa, na Liberdade, a vista para o mar não ofusca o medo que o vigilante Edson Santos, de 43 anos, tem de viver sobre a encosta acima da Baixa do Fiscal. O local, onde quatro pessoas da mesma família foram soterradas, hoje está tomado pelo mato.
Ele diz que deixou a casa logo após o acidente, mas retornou por falta de dinheiro para pagar aluguel. "Ou eu pagava ou comprava comida para alimentar a família", resignou-se. Edson vive com a mulher e dois filhos em uma pequena casa de cinco cômodos. (As informações do A Tarde)
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