Aeronautas e aeroviários realizam nesta quarta-feira, 3, uma paralisação das 6h às 8h, no aeroporto internacional de Salvador Deputado Luís Eduardo Magalhães, em protesto por conta da campanha salarial. A ação integra um movimento nacional, liderado pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (Fentac). De acordo com o diretor da subsede na Bahia do Sindicato Nacional dos Aeroviários, André Carvalho, há em todo o estado cerca de 350 aeroviários - trabalhadores das companhias aéreas e de serviços auxiliares que trabalham em terra.
No entanto, somente os que atuam no aeroporto de Salvador devem paralisar. Os de Vitória da Conquista, Ilhéus e Porto Seguro não farão parte do protesto. Carvalho disse que a previsão é que não sejam realizados diversos serviços como check-in e carregamentos de bagagens. "Os comandantes estarão de braços parados. Vamos parar aeroportos centrais", afirmou.
A escolha do horário, segundo ele, é por conta de ser uma faixa de maior movimentação de aeronaves. Carvalho destacou, ainda, que a categoria pretende respeitar a exigência de 30% do efetivo trabalhando, mas não soube informar o quantitativo não paralisará no aeroporto de Salvador. "Vai ter gente trabalhando, mas não sei quanto. Minha vontade era não ter ninguém para as empresas terem um baque", acrescentou.
Negociação - Carvalho contou que, após diversas rodadas de negociação, as empresas aeroviárias não aceitaram a proposta da Fentac de 11% de aumento do salário e de benefícios como tíquete alimentação e refeição e seguro de vida. No início da negociação a Fentac chegou a apresentar proposta de 20% de aumento dos itens citados, mas reduziu a porcentagem na última rodada, ocorrida no último 27 de janeiro, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)."Mesmo assim, as empresas negaram e ofereceram o INPC parcelado e sem retroatividade", ressaltou Carvalho. A data-base da categoria é 1º de dezembro.
De acordo com a Fentac, um estudo da Subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na federação mostrou que o formato oferecido pelas empresas trará prejuízos ao bolso dos trabalhadores. Segundo a Fentac, as perdas salariais oscilariam entre 53,16% e 96,22% de um salário mensal ao longo do período em que o reajuste é aplicado.
Empresas - Por meio de nota, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) informou que, desde o início das negociações com as representações sindicais, seis propostas foram apresentadas, mas todas foram recusadas. O sindicato que representa as empresas informou, também, que a primeira proposta feita aos trabalhadores contemplava "garantia de emprego para todos os trabalhadores da aviação". Na última delas, foi oferecido reajuste salarial que recompõe o INPC de forma parcelada, além de aumento de 11% retroativos a dezembro nos benefícios como vale alimentação, vale refeição, seguro de vida e diárias nacionais.
Segundo o SNEA, de janeiro a setembro de 2015, um dos piores anos da história da aviação comercial brasileira, as companhias aéreas acumularam prejuízo líquido de R$ 3,7 bilhões, de acordo com os dados mais recentes da Anac. Sobre os prejuízos para os consumidores, o SNEA informou que as empresas aéreas estão tomando "todas as medidas para preservar a viagem dos passageiros, não apenas nesta semana, mas também durante todo o Carnaval".
Nacional - A previsão da Fentac é que a paralisação afete, em todo o país, 300 voos em 12 aeroportos, o que segundo a entidade corresponde a 10% da malha aérea nacional. A previsão é que o protesto ocorra nos aeroportos de Congonhas (SP), Guarulhos (SP), Santos Dumont (RJ), Galeão (RJ), Viracopos (SP), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Brasília (DF), Salvador, Recife (PE) e Fortaleza (CE).
"A greve é o último recurso que temos para expressar às empresas que elas precisam valorizar e reconhecer o trabalho dos profissionais da aviação que são responsáveis pela segurança nos voos e pelo ótimo desempenho do setor", afirmou, em nota, o presidente da Fentac, Sérgio Dias.
Após as paralisações, os sindicatos dos aeronautas farão assembleias a partir das 9h30 para avaliar a continuidade do movimento grevista amanhã ou pela suspensão temporária. (As informações do A Tarde)
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