Os ossos e uma camisa vermelha desenterrados no quintal de uma casa na Estrada das Barreiras na segunda-feira (15) puseram o fim a angústia dos parentes do comerciante José Carlos Araújo da Silva, 46 anos, desaparecido desde o último dia 4. “É duro. A gente nunca imagina enterrar um filho”, desabafou o pai de José Carlos, José Gonçalves da Silva, 72. Os restos mortais de José Carlos foram encontrados pela polícia em um buraco de mais dois metros de profundidade, no quintal de uma casa, na localidade de Horto Florestal, região do Cabula. Havia indícios de que o corpo foi carbonizado.
Para a família, a principal suspeita de ter cometido o crime é a dona do imóvel, uma mulher identificada apenas pelo nome de Joseane, com quem a vítima teria um relacionamento amoroso. “Nós não tivemos acesso ao depoimento dela na polícia, mas essa Joseane foi quem mostrou onde o corpo estava enterrado, entregou a faca ainda suja de sangue e o local na casa onde meu pai foi morto, na cama de um dos quatros. A cama e o teto estavam sujos de sangue”, contou o filho do comerciante, o mecânico José Carlos Araújo da Silva Júnior, 24.
Segundo o mecânico, Joseane prestou depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na última segunda-feira e foi liberada no mesmo dia. “Chega ser revoltante”, declarou Júnior. A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou apenas que a investigação é realizada pela delegada Jussara Maria, da 2ª Delegacia de Homicídios Central, e que a morte do comerciante trata-se de latrocínio (roubo seguido de morte). O CORREIO tentou localizar a delegada ontem à tarde, mas não conseguiu contato com ela.
Ainda de acordo com o mecânico, uma das pessoas que também foi ouvida pela polícia foi um mototaxista que deixou o comerciante no Horto Florestal, no último dia 4. “Porém, ele disse que não lembrava do rosto da mulher com quem meu pai ia se encontrar”, declarou.
Desaparecimento - José Carlos era dono de um restaurante no bairro de jardim Santo Inácio. A casa dele era no andar térreo do estabelecimento. No último dia 4, ele pediu ao mototaxista para levá-lo até o Horto Florestal. “Era a terceira vez que o mototaxista fazia a corrida para o local”, contou o filho.
O comerciante tinha o hábito de acionar o mototaxista para buscá-lo, mas neste dia, ele disse que dormiria no Horto Florestal. “Ele nunca foi de dormir fora de casa. No dia seguinte, uma tia, que mora perto dele, estranhou que ela não tinha acordado cedo para preparar a comida do restaurante e usou uma chave que tinha para entrar na casa e não o encontrou e ligou para a gente”, explica o filho.
Depois de mobilizar parentes, amigos, o mecânico resolveu prestar queixa do desaparecimento do pai na Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP), unidade do DHPP, no último dia 6. Segundo familiares, as investigações avançaram e levaram policiais civis à casa de Joseane. “O depoimento do mototaxista e de denúncias anônimas ajudaram a polícia chegar à casa”, contou o mecânico. (As informações do Correio)
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