Cerca de 2 mil bares e restaurantes devem fechar as portas até o final do ano em toda a Bahia, segundo estimativa da Associação Brasileira de Bares e Resturante na Bahia (Abrasel-BA). A situação reflete a crise no cenário nacional onde, no primeiro trimestre de 2017, 31% das empresas fecharam no vermelho.
Em Salvador, o impacto da crise pode ser sentido nas áreas boêmias da cidade. No Jardim Brasil, por exemplo, a maioria dos bares e restaurantes encerraram as atividades. Segundo os moradores, a situação ficou mais complicada nos últimos três anos e o fechamento dos bares influenciou diretamente nas rotinas.
“Nós preferimos frequentar locais que sejam mais perto, porque ir para outro local significa ter dois gastos: o do consumo e o de transporte. Com esses fechamentos, nós perdemos opções”, afirma uma servidora pública que pediu para não ser identificada.
Esta semana, o Alô Alô Correio divulgou, com exclusividade, o fechamento da churrascaria Fogo de Chão, no Rio Vermelho. O bairro também sente os efeitos da crise. Segundo o presidente da Abrasel-BA, Luiz Henrique Amaral, a falta de segurança e a instabilidade econômica são responsáveis pelos resultados.
“O setor está enfrentando sérios problemas, sobretudo no Nordeste, por conta da crise. Em média, os brasileiros gastam 50% menos que os americanos com alimentação fora de casa. Por conta da atual situação, as pessoas não estão saindo para comer fora, e quando fazem isso, gastam menos que o normal. A falta de segurança é outro fator que contribui para esse cenário”, afirma Amaral.
Faturamento
A pesquisa da Abrasel aponta que a situação nacional ainda é de crise, mas que houve melhora na comparação entre o último trimestre de 2016 e o primeiro de 2017. A previsão de faturamento ainda está em queda, mas o prejuízo foi suavizado de 3,93% para 1,84%. No total, 37% das empresas tiveram faturamento infeiror a 2016, 29% mantiveram a receita e apenas 34% conseguiram aumentar o faturamento.
A situação financeira levou 12% dos empresários a acreditar que vão fechar as portas nos próximos 12 meses. Segundo Amaral, na Bahia, esse número é maior porque há menos estabelecimentos que em outras regiões do país e, por isso, a crise é sentida mais fortemente. São 50 mil bares e restaurantes no estado, sendo 10 mil em Salvador e Região Metropolitana.
O empresário Paulo Almeida, 45 anos, dono do São Jorge Botequim, no Rio Vermelho, resolveu encerrar as atividades há uma semana. Ele contou que o movimento caiu mais de 50% nos últimos meses. “Foi um prejuízo muito alto. Já tive outros empreendimentos antes, mas agora estava apenas com esse. Com o fechamento, eu estou desempregado”, afirmou, sem mensurar o prejuízo. “Terei que trabalhar por muitos anos para me recuperar”, diz. (As informações do Correio)

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