Protagonistas no processo de elaboração do novo projeto pedagógico das escolas da rede municipal, centenas de educadores comemoraram ontem o Dia do Professor e, também, o lançamento do programa, batizado como Nossa Rede. Apresentado pelo prefeito ACM Neto como uma “revolução” na educação da capital, o projeto será implantado a partir do próximo ano letivo, nas unidades do ensino infantil e do fundamental I. Segundo o titular da Secretaria da Educação (Smed), Guilherme Bellintani, que coordenou os trabalhos, o Nossa Rede é baseado nas particularidades culturais e educacionais de Salvador e da Bahia.
Nos últimos seis meses, 4 mil dos 7 mil professores participaram, junto com 200 técnicos e gestores escolares, de vários encontros, nos quais apresentaram as dificuldades enfrentadas e ajudaram a formular a nova diretriz pedagógica e os novos materiais. Ao todo, 100 mil alunos serão submetidos ao novo programa em 2016. No ano seguinte, o projeto será estendido ao ensino fundamental II e à educação para jovens e adultos (EJA). “Esse é o passo mais importante para a gente dar um grande avanço de qualidade na educação de Salvador, para fazer uma revolução”, garantiu o prefeito, durante o lançamento no Itaigara. O processo de elaboração custou R$ 6,3 milhões.
Unificação - Até aqui, cada escola escolhe o projeto pedagógico que considera melhor. Essa prática faz com que mais de cinco programas estejam sendo utilizados na rede, o que provoca desencontros, dificuldades de comunicação e de adaptação de alunos que, por exemplo, que mudam de escola. “Tinha aluno que chegava perdido porque vinha de uma escola com uma metodologia diferente”, citou Dejacir Santos, coordenadora da Escola Dr. Eduardo Doto.
De acordo com Joelice Braga, coordenadora pedagógica da Smed, a ideia do Nossa Rede é ir de encontro ao problema dos múltiplos projetos, promovendo um elo entre as escolas e facilitando a atuação dos educadores. “Precisávamos de um projeto que fosse igual em qualquer canto”.
Além de variados, muitos dos projetos adotados pelas escolas eram produzidos fora do estado, um distanciamento que repercutia nos conteúdos propostos e na forma como eles eram trabalhados. Por isso, o Nossa Rede buscou valorizar traços identitários locais. “Pensamos em um caderno de matemática no qual as crianças vão poder fazer as contas com elementos como o nosso famoso geladinho e a Feira de São Joaquim”, exemplificou Cybele Amado, presidente do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa, que também participou da concepção do programa.
Material didático - Além da renovação das diretrizes educacionais, um novo material pedagógico foi elaborado. Para a educação infantil, que contempla 19 mil crianças de 0 a 5 anos, foi feito um conjunto de materiais para professores, alunos e até para familiares dos estudantes. “Desenvolvemos uma maleta encantada, que é um conjunto de materiais lúdicos para crianças e professores, um álbum de desenvolvimento e portifólios para registrar e acompanhar as aprendizagens da criança”, afirmou Maria Thereza Marcílio, gestora da ONG Avante. Além disso, foi produzido um material impresso e em DVD que será destinado às famílias das crianças, com sugestões de brincadeiras e dicas de educação.
Para os alunos do ensino fundamental I, que compreende mais de 80 mil estudantes do 1º ao 5º ano, foram formulados cadernos de Português e Matemática. A cada bimestre, o aluno receberá um caderno de cada uma das duas disciplinas, que vão oferecer conteúdo e propor exercícios e projetos. Além dos cadernos, os alunos do fundamental I também receberão um CD com músicas produzidas pela associação Pracatum. “A arte prepondera nesse projeto. Das linguagens artísticas, elegemos a música como elemento norteador do trabalho. Por isso a parceria com a Pracatum”, explica Joelice.
A produção do próprio material didático também vai representar uma economia aos cofres municipais. “A gente vai conseguir reduzir em quase 80%, ao longo de 10 anos, o custo do material porque a gente fica com o direito autoral”, afirmou Bellintani. Por ano, a prefeitura gastará R$ 3,5 milhões para imprimir o material. De acordo com o secretário, esse valor subiria para R$ 14 milhões se tudo fosse feito fora. (As informações do Correio)
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