O desmoronamento dos índices de aprovação da presidente Dilma Rousseff já era esperado no Palácio do Planalto, mas, apesar do discurso oficial de que o pior já passou, o governo prevê um cenário ainda mais sombrio para os próximos meses. Além dos desdobramentos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e do desemprego provocado pela recessão econômica, Dilma enfrentará o desgaste de vetar propostas aprovadas pelo Congresso.
Na lista estão o projeto que aumenta os salários dos servidores do Judiciário e a emenda que estende o reajuste do mínimo a todos os aposentados. Para o governo, a “pauta bomba” do Congresso é incompatível com o ajuste fiscal, mas a Câmara e o Senado, comandadas pelo PMDB, decidiram pôr Dilma contra a parede. Detalhe: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), levou à votação o aumento dos salários do Judiciário sete horas depois de conversar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No tête-à-tête, Lula pediu a Renan, alvo da Operação Lava Jato, para “relevar” os problemas que tem com o governo e ajudar Dilma. “Mas nós não vamos para o suicídio coletivo”, argumentou outro senador do PMDB, que acompanhou a conversa. Ao minar Dilma em doses homeopáticas, uma ala do PMDB tenta criar condições para tornar o governo insustentável. Nos bastidores, há quem defenda até o impeachment, mas o vice-presidente Michel Temer, que comanda o PMDB, rejeita a ideia.
A ordem no Palácio do Planalto é afastar os rumores sobre crise institucional, no rastro dos escândalos de corrupção na Petrobrás. “Não temos crise institucional de jeito nenhum. E não vamos ter”, insistiu Temer, que é articulador político do governo. Embora a pesquisa CNI/Ibope tenha indicado que a avaliação negativa do governo Dilma atingiu os piores índices desde o fim da ditadura, com 68% de reprovação, levantamentos em poder do Planalto já mostravam que a popularidade da presidente caiu para um dígito. Não sem motivo Lula comparou a situação ao “volume morto” do sistema Cantareira. (As informações do Estadão)
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