sábado, 19 de dezembro de 2015

INDÚSTRIA CONTRAI CERCA DE 10% E OPERA NO NÍVEL MAIS BAIXO EM 10 ANOS

A piora da atividade econômica em 2015 empurrou a produção industrial brasileira a níveis de 10 anos atrás, provocando um estrangulamento do setor, que encolheu para uma mínima histórica em termos de participação no PIB (Produto Interno Bruto).

Dados da Tendências Consultoria Integrada, a partir dos números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que no acumulado no ano até o 3º trimestre, a participação da indústria de transformação na composição total do PIB caiu para 11,4%, ante uma fatia de 11,7% em 2014. Veja gráfico abaixo

Para 2016, as projeções apontam que essa participação irá ficar pela primeira vez abaixo de 10%. A retração da indústria está diretamente relacionada à crise de confiança dos empresários e consumidores. O desânimo acaba afetando tanto as vendas e encomendas como os planos de investimento e de expansão da capacidade produtiva.

"A indústria é o setor mais afetado pela crise. Além de vir perdendo competitividade, a produção de setores como de veículos, máquinas e equipamentos é muito sensível à redução da confiança ou à paralisação dos investimentos", afirma o analista da Tendências Rafael Bacciotti. A produção industrial acumula queda de 7,8% no ano, até outubro (últimos dados divulgados pelo IBGE).

Na indústria de transformação (máquinas e bens de consumo), considerada a mais importante pelo efeito multiplicador na economia e por empregar o maior número de mão de obra formal e especializada, a queda no ano éde 9,6%. Já no segmento de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos e que funciona como uma espécie de termômetro dos investimentos no país, o encolhimento é ainda mais profundo, de 24,5% - o maior da série histórica, iniciada em 2002.

Produção recua a nível de 2005 - O setor industrial está operando no nível mais baixo desde 2005, segundo levantamento da Tendências. Entre janeiro e outubro, o nível de produção da indústria de transformação ficou em 90,27 em número índice – pior patamar desde 2005, quando registrou nível de 89,35. O pico da série iniciada em 2002 foi registrado em 2013, quando chegou a 102,81 pontos.

O encolhimento ocorre mesmo diante da desvalorização do real frente ao dólar e à queda das importações, o que, em tese, contribui para uma maior competitividade da produção nacional. O analista de bens de capital da tendências, Felipe Beraldi, explica que a crise da indústria está diretamente relacionada à deterioração da demanda doméstica.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o percentual de utilização da capacidade instalada foi de 77,7% em outubro. Há um ano estava em 81%. Na indústria de máquinas e equipamentos, o nível de uso da capacidade tombou para 66,4% - o pior desde 1980, segundo a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

"Temos observado em 2015, uma deterioração muito grande da confiança devido ao elevado grau de incertezas tanto no ambiente econômico quanto no político. E quando o empresário tem uma capacidade ociosa, ele segura o investimento", diz Beraldi, acrescentando que a indústria de bens de capital também tem sido fortemente afetada pelos impactos da operação Lava Jato nos setores de petróleo e gás e infraestrutura.

Segundo estudo do Ministério da Fazenda, somente a redução dos investimentos da Petrobras implicou em uma queda de "2 pontos percentuais do PIB ao longo de 2015". (As informações do G1)

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